Por mais que o discurso ensaiado esconda, alguns jogadores da seleção brasileira sabem que só uma tragédia os tira da viagem para a África do Sul. O grupo, que está em Londres para enfrentar a Irlanda nesta terça, no último amistoso antes da convocação para a Copa do Mundo, sabe que a "tragédia" também pode atender pelo nome de lesão.
Nos últimos 40 anos, a Copa da Itália, em 1990, foi a única em que a seleção brasileira não perdeu jogadores para lesões pouco antes do Mundial.
Em 1994, exatamente no último amistoso do Brasil antes da competição, contra El Salvador, Ricardo Gomes sofreu uma lesão muscular que o tiraria da equipe tetracampeã nos Estados Unidos. Mozer já fora cortado semanas antes.
Quatro anos depois, o corte e as lágrimas de Romário deram muito pano para manga, e ainda houve os de Marcio Santos e Flavio Conceição. Juninho Paulista nem chegou a ser convocado por ter fraturado o tornozelo esquerdo.
O destino foi irônico com Emerson em 2002. Chamado para o lugar do Baixinho na França em 1998, o então capitão contundiu o ombro jogando de goleiro no recreativo da véspera da estreia na Copa da Coreia do Sul e do Japão. Na última Copa, há quatro anos, na Alemanha, Edmilson teve que deixar o grupo, dando lugar a Mineiro.
que faz com que os jogadores mantenham o pé embaixo mesmo a poucos meses da Copa do Mundo.
- Não dá para entrar em campo pensando em evitar uma lesão, até porque a gente está em risco todos os dias, durante um treino, um lance que às vezes é despretensioso e acaba tendo um problema. É orar muito e pedir a Deus para proteger - explicou Kaká.
O atacante Nilmar avisa que quem pensa em deixar de ver o amistoso desta terça achando que será menos disputado do que um jogo de campeonato tem muito a perder:
- Na seleção brasileira você tem que dar mais de cem por cento e dividir todas, até porque é a oportunidade da sua vida. São noventa minutos ou cinco ou um minuto, ou às vezes você nem joga, mas só de estar aqui no treinamento, tem que aproveitar cada minuto que está aqui. É pouco tempo, tem que estar bem e não tirar o pé de jeito nenhum.
Por outro lado, dedicação total no jogo desta terça para agradar a Dunga e prevenção pelos próximos meses poderia ser a tática dos "garantidos". Afinal, a ameaça de lesões é iminente, como provou o corte de Luis Fabiano para a partida em Londres, com uma lesão muscular no tórax. Ou mesmo a pubalgia que tirou Kaká de ação por um mês no fim de 2009 e exigirá tratamento pelo resto da sua vida. Mas o lateral Daniel Alves garante que não é assim que a banda toca:
- Eu não sei se sou diferente ou não, mas vivo a minha profissão com uma intensidade muito grande mesmo em ano da Copa do Mundo. Procuro fazer o meu trabalho igual porque acho que para estar na seleção precisa estar bem no clube. Tem que fazer o nosso trabalho como antes e não mudar nada - comentou.
E se não for a consciência que mande, o peso de jogar em grandes clubes como Barcelona, no caso de Daniel Alves, ou Real Madrid, no de Kaká, garante que a intensidade esteja sempre em nível alto, mesmo que jogar várias competições importantes até as fases finais aumente o risco.
- Eu também vivo um momento decisivo no clube, está chegando no final do Campeonato Espanhol, da Liga dos Campeões. Tudo isso cria também uma grande expectativa, mas é dar um passo de cada vez e as coisas vão caminhando na direção correta - disse Kaká.
Brasil e Irlanda se enfrentam nesta terça-feira, às 17h05m (de Brasília), no Emirates Stadium, em Londres, na Inglaterra. A partida é a última antes da convocação final para a Copa do Mundo da África do Sul e vai ser transmitida ao vivo pela TV Globo.
Fonte: GLOBO.COM